terça-feira, dezembro 27, 2011

Klepsydra de Ouro 2011: Rafael Marques

Distingue-se aqui com a Klepsýdra de Ouro a personalidade do ano. Distingue-se a imensa coragem e o excelente trabalho de investigação de Rafael Marques. Isto é mais forte do que a Primavera árabe. Trata-se de um homem só contra um regime assassino e corrupto. Em "Diamantes de Sangue" (Tinta da China, 2011), Rafael Marques denuncia os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam. Na região do Cuango, para benefício dos que exploram os diamantes, as populações são mantidas em condições de quase escravatura, sendo torturadas, assassinadas, roubadas e impedidas de manter quaisquer actividades de auto-subsistência. As autoridades e o governo ignoram os crimes, as forças armadas e polícias são não só coniventes como também protagonistas desses crimes (sic).

segunda-feira, dezembro 26, 2011

A tortura colectiva continua na Coreia do Norte

Desde a morte de Kim Jong-Il, a tortura colectiva a que o Partido Comunista da Coreia submeteu os coreanos nao conhece limites. Depois da imposicao de ignobeis choros mal ensaiados, seguem-se os passarinhos que prestam homenagem a Kim Jong-Il.
A semana passada a direccao do PCP num exercicio de benovolencia com um dos maiores criminosos do mundo - na Coreia do Norte morre-se de fome, mas ha dinheiro para armas nucleares - expressou as suas condolencias pelo falecimento de Kim Jong-Il. Na mesma semana em que se opos ao voto de pesar pelo falecimento de Vaclav Havel. Duvido que a esmagadora maioria dos simpatizantes e militantes do PCP se revejam nisto.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Premiar os culpados da crise

Depois de Mario Draghi, Mario Monti e Lucas Papadémos (ex-Goldman Sachs), mais um cargo político europeu importantíssimo atribuído a um quadro oriundo de uma das empresas financeiras responsáveis pela crise mundial: Luís de Guindos (ex-Lehman Brothers) é Ministro da Economia do governo Rajoy. Não há vergonha na cara.

terça-feira, dezembro 20, 2011

Homenagem a Havel

Václav Havel (lê-se Vatslav, c=ts) é sobretudo sinónimo de coragem. Contra o regime comunista legitimado pelos tanques soviéticos, Havel foi reunindo em torno de si de uma forma mais ou menos caótica dissidências várias da sociedade checoslovaca que agrupava desde católicos a trotsquistas, apesar da permanente perseguição e das passagens pela prisão de que foi alvo. Quando a URSS começou a vacilar, foi com a mesma coragem que Havel apareceu nas primeiras linhas da contestação, quando ainda era incerto se uma nova vaga de tanques soviéticos pudesse voltar a intervir ou não.
Todos estes episódios são relatados com muito humor nas memórias de Havel, "To the Castle and Back", sobretudo quando descreve o estoicismo burocrático dos funcionários do PC checo bem como os delírios fanáticos dos ultraliberais que seguem o actual presidente Václav Klaus.
Mas Havel, é também um exemplo de um grande europeísta, daqueles que fazem falta na Europa nos dias de hoje. O seu primeiro discurso perante o Parlamento Europeu em 1994 não poderia ser mais actual. Havel apela à construção de uma Europa mais forte, simplificando os tratados numa constituição clara (pag. 18) e à eleição directa pelos cidadãos europeus de um presidente que substituiria as presidências rotativas (pag. 19).
Havel, o checo enfezado que costumava passar férias no Algarve, vai deixar muitas saudades.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Mão leve

130 casos de violência doméstica no concelho da Figueira levados a tribunal nos últimos 7 anos. De fora está a grande maioria que nem sequer é objecto de queixa. Portugal continua a ser aquele país bizarro em que a casa é mais perigosa que a rua.

terça-feira, dezembro 13, 2011

O Xerife de Nottingham


(foto BBC)

David Cameron recusou-se a aceitar a medida de aplicação de uma taxa de transacções financeiras na UE, aquela que foi talvez a medida mais interessante negociada na cimeira da passada semana. Cameron mostrou-se muito preocupado com o seu impacto na City, cujas actividades contribuem para cerca de 10% do PIB britânico e que representam cerca de 75% das operações financeiras de toda a Europa. Mas a City é também uma das principais responsáveis pelo caos que se instalou na economia mundial desde 2008, é de longe o sítio na Europa onde mais se roubou empresas, cidadãos e estados, e que mais contribuiu para fomentar o desemprego na UE. Apesar de a crise atingir fortemente o Reino Unido (cerca de 450% do PIB de dívida pública+privada), não é por isso que nos últimos anos correctores e quadros de empresas financeiras da City deixaram de apostar milhões em corridas de cavalos e em viaturas de luxo (duas modas da City).
O Xerife de Nottingham não é ingrato, não morde a mão dos cortesãos que o levaram ao poder.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Mais cortes em grandes projetos europeus de investigação

(publicado no portal Esquerda.net)

Depois de cortes anunciados nos orçamentos do CERN, do Acelerador Europeu de Sincrotrão, da Estação Espacial Internacional e do futuro telescópio espacial James Webb (estes sobretudo da parte dos EUA), segue-se agora a intenção da Comissão Europeia em retirar do orçamento da União Europeia o projeto ITER e o programa GMES.

No caso do ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor:Reator Termonuclear Experimental Internacional) justifica-se a decisão com as derrapagens nos custos de um projecto que inicialmente se estimou em cerca de 5 mil milhões de euros em 2006 e que se estima agora em cerca de 15 mil milhões de euros. O ITER tem como objectivo produzir energia através da fusão nuclear (em vez da fissão dos reactores das centrais nucleares) e é financiado conjuntamente pela UE (União Europeia), os EUA, a China, a Índia, a Rússia, a Coreia do Sul e o Japão. A contribuição da UE no período compreendido entre 2014 e 2020 eleva-se a cerca de 2,7 mil milhões de euros.

O GMES (Global Monitoring for Environment and Security: Monotorização Global para o Ambiente e a Segurança) será uma constelação de satélites europeia que observará a superfície da Terra e a atmosfera em contínuo auxiliando os serviços meteorológicos de toda a Europa de modo a que estes prestem informações mais precisas aos cidadãos, a empresas e a instituições. Esta constelação será também especialmente vocacionada para detectar indicadores das alterações climáticas: risco de inundações, erosão dos solos e da costa, colheitas e recursos piscícolas, poluição atmosférica, gases de efeito de estufa, icebergs e glaciares. O custo total do GMES é de cerca de 5,8 mil milhões de euros.

A Comissão Europeia propôs a reposição do financiamento do ITER e do GMES através de novas organizações europeias financiadas directamente pelos estados membros e apenas em parte pela UE. Oito estados membros, entre os quais a Alemanha, a França e a Itália protestaram contra a comissária responsável pela investigação, Máire Geoghegan-Quinn, invocando que esta decisão atrasaria os referidos projectos e comprometeria a sua coordenação, colocando em risco a sua continuidade. Mas o mais grave é que estas políticas de cortes cegos da Comissão Europeia ignoram por completo as potencialidades da ciência para a resolução da crise, para a criação de novas tecnologias, novas empresas e criação de emprego qualificado, contrariando os chamados Objectivos de Barcelona que definem as linhas directoras do investimento em ciência na Europa. Lamentavelmente, esta Comissão considera mais a ciência como um problema do que propriamente uma solução para tirar a Europa da crise.

domingo, dezembro 11, 2011

Ronaldo mais simpático que Messi








O cronista Roustan do jornal L'Equipe decidiu investigar quem é mais simpático: Ronaldo ou Messi? Entrevistou colegas, ex-colegas, técnicos e jornalistas que conhecem ambos os jogadores e as opiniões foram quase unânimes: Ronaldo ganha claramente neste confronto. Apesar de no terreno Ronaldo ferver em menos água que o argentino, para além de revelar falta de maturidade quando provocado (e provocações a Ronaldo não faltam), o resultado favorável a Ronaldo não me surpreende e demonstra que a imprensa quando quer sangue, obtém sangue.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Dupond & Dupont


Esta edição do programa Política Mesmo da TVI24 com Henrique Neto e Tiago Guerreiro é um exemplo perfeito dos "debates" na televisão portuguesa que abundam desde que começou a crise das subprimes. As opiniões dos participantes sobre a economia são coincidentes, a ideologia é a mesma e as soluções propostas são redundantes: o Estado deve ser reduzido ao mínimo; a austeridade é que é bom; e as culpas do sistema financeiro na crise são sempre minimizadas. Melhor só mesmo Medina Carreira que faz de Dupond e de Dupont simultaneamente, mas em versão rasca e populista.

Já escrevi que precisávamos de um canal de televisão gerido por profissionais de esquerda, eventualmente com a direita intelectual. Precisávamos de uma televisão plural, feita por todos aqueles que não cedem ao pimba, ao facilitismo, ao sensacionalismo e aos exemplos rasca dos programas de variedades da vida real que bombardeiam diariamente os nossos jovens. O canal ARTE já se estendeu a vários países europeus. Poderia ser por aí que as nossas ondas hertezianas começassem a ser mais bem tratadas.

terça-feira, dezembro 06, 2011

Não havia necessidade...

É preciso afirmá-lo com clareza. Quem tem responsabilidades de decisão política (Governo, Presidente da República e Câmara Municipal) pouco ou nada fez para evitar o encerramento dos estaleiros ou para encontrar uma solução alternativa de reconversão a outras actividades industriais. O mais perturbador é que isto ocorre em pleno debate da presidência sobre a importância da chamada economia do mar. Ouvimos do mesmo na Figueira, inclusivamente aldeias do mar, etc. É sem dúvida uma retórica bonita, e é uma via de desenvolvimento muito válida como já repetidamente escrevi, mas quando chega à hora da verdade a "economia da terra" (a dos mercados) liquida totalmente a economia do mar.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Marisa Matias eurodeputada do ano

O excelente trabalho da Marisa no Parlamento Europeu teve um justo reconhecimento ao ter sido galardoada com o prémio de melhor deputado na área da saúde.
A Marisa esteve à frente da aprovação da directiva que combate a falsificação de medicamentos que tem impacto directo nas vidas de milhões de cidadãos europeus. Liderou também a proposta do próximo programa de financiamento para a investigação na Europa, que resultará no 8° Programa Quadro para a Investigação. Além do mais, este trabalho foi realizado em ambiente de grande hostilidade ao BE dentro do Grupo da Esquerda Unitária Europeia, em particular da parte de partidos comunistas europeus que tentaram boicotar, atrapalhar e vilipendiar o trabalho da Marisa. É por estas e por outras que julgo que está na hora do BE se mudar para os Verdes Europeus.

terça-feira, novembro 29, 2011

Petição Em Defesa do Hospital da Figueira

Para assinar, clicar aqui.

Prince



Já o classificam de "Best goal ever", este que é para mim sem discussão o golo do ano.
O golo de Boateng, perdão, Prince Boateng, é um invulgar golo a três tempos onde se exprime uma variedade assinalável de movimentos inerentes à prática da redondinha. Primeiro, uma recuperação de bola elegante, atlética e esforçadíssima. Depois um toque de calcanhar em ressalto que finta o defesa, demonstrando confiança, improvisação, talento, inteligência e muito treino de pé na bola. A bola surge de bandeja do toque de calcanhar e Boateng finaliza rematando com toda a força, ligeiramente em arco para o ponto mais inesperado, mais curto e de mais difícil defesa. Cinco estrelas.

João Semedo incomoda muita gente

João Semedo tem sido o deputado mais activo contra a lapidação dos hospitais públicos, entre os quais o Hospital da Figueira. Este fim-de-semana foi alvo de um dos ataques mais miseráveis e trapalhões da história do jornalismo português. Na capa do Expresso dá-se uma notícia absolutamente falsa acusando o deputado de ter sido sócio do BPN. Ora, João Semedo nunca foi sócio do BPN como aliás se pode perceber pelo corpo da notícia do Expresso que contraria o próprio título. Mas há sempre quem leia apenas o título e não leia o próprio texto. Um erro tão grosseiro só pode ter explicação numa notícia encomendada por alguém muito incomodado pelo trabalho do deputado. Não é só em Angola que estas coisas acontecem. Das duas uma, isto ou vai acabar com um processo ao jornalista ou com um pedido de desculpas público com o mesmo destaque da notícia original.

segunda-feira, novembro 28, 2011

Extremos climáticos mais prováveis no futuro

(publicado no portal Esquerda.net)

O IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change: Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) lançou esta semana um resumo para decisores políticos baseado num relatório científico sobre fenómenos climáticos extremos a ser publicado em Fevereiro de 2012. Este relatório surge a pedido de um conjunto de chefes de estado de países recentemente afectados por catástrofes naturais fora do comum. O relatório foi elaborado por 220 investigadores de 62 países diferentes, teve 18784 comentários e revisões realizadas pelos melhores especialistas em cada domínio e foi baseado em milhares de artigos científicos publicados nas melhores revistas da especialidade com arbitragem pelos pares.

O relatório estabelece como provável (grau de certeza superior a 60%) o aumento da frequência de fenómenos climáticos extremos, caso prossiga o aquecimento global do planeta. Classifica-se como muito provável (certeza superior a 90%) que o aumento das emissões de gases de efeito de estufa seja responsável pela maior ocorrência de dias e noites muito quentes e pela diminuição do número de dias e de noites muito frias. Pela mesma razão aumentou a duração média das secas bem como a sua intensidade. Foi classificado como provável (>60% de certeza) que os ciclones tropicais no futuro ocorram menos vezes por ano, no entanto em média estes serão cada vez mais intensos.

No entanto, o IPCC ressalva que os extremos climáticos são fenómenos raros, sobre os quais há menos dados e alguns deles estudados apenas desde há algumas décadas. Outra dificuldade neste trabalho é o facto de alguns destes fenómenos serem muito localizados a certas regiões do mundo, por exemplo os fenómenos climáticos extremos que ocorrem nos pólos são muito diferentes dos que ocorrem nos trópicos. Ilhas, regiões costeiras, regiões montanhosas e periferias urbanas muito recentes construídas em mega-cidades foram identificadas como as zonas onde os fenómenos climáticos extremos têm maior impacto. Estes são também fenómenos de maior complexidade sobre os quais é mais difícil estabelecer com maior certeza os aspectos científicos (física, química, geologia, etc.) que estão na sua origem. Apesar desta ressalva, a probabilidade elevada (> 60%) e os elevados custos económicos e em vidas humanas que comportam estas catástrofes naturais, por precaução, seria desejável que o combate às alterações climáticas prosseguisse com maior determinação.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Defender o Hospital Distrital da Figueira da Foz

É um novo blogue lançado por "Grupo de cidadãos que não quer, nem aceita, mais uma desvalorização do serviço público de saúde e a prevista desclassificação do Hospital Distrital da Figueira da Foz."
Eu diria mais, poderá estar previsto é o encerramento a médio prazo. Os senhores dentro do CDS e do PSD que mandam executar estas medidas fazem parte de boas famílias que nem se aperceberam que a taxa de mortalidade é oito vezes menos do que há trinta anos, na mesma altura em que apenas um terço dos portugueses tinha posto um pé dentro de um hospital. Para eles nunca faltou nada, nem há-de faltar.

quinta-feira, novembro 24, 2011

O capitalismo falhou


(Foto de Jim Hubbard ©Bettmann/CORBIS)

Convém admiti-lo, falhou o modelo do capitalismo financeiro tal como o imaginaram Thatcher, Reagan e Milton Friedman. A ideia de que os mercados se auto-regulam e que a mão invisível do mercado age tendencialmente em benefício da sociedade, é uma ficção. A economia é uma ciência complexa que engloba tanto a matemática avançada da engenharia financeira como as inúmeras incertezas associadas à actividade humana. Crer que um sistema tão complexo se auto-regula é pura profissão de fé, sobretudo numa economia globalizada onde se movimenta à velocidade de um clique, de um lado para o outro do planeta, quantias inimagináveis para o cidadão comum. No fundo é o reverso da medalha da fé comunista na economia planificada da URSS.

Hoje o mapa mundo das dívidas públicas e privadas é chocante e é o resultado da substituição dos bancos centrais pelos bancos privados no financiamento da economia. O Japão e o Reino Unido apresentam dívidas (pública+privada) acima dos 450% do PIB. A Coreia do Sul, Espanha, Suiça, Itália, Portugal, os EUA, França, Canadá e a Alemanha com dívidas entre os 250% e os 350% do PIB. Inclusivamente países emergentes com forte crescimento como é a China, o Brasil e a Índia, apresentam dívidas da ordem dos 150% do PIB. Nos media, já nem se fala dos "mortos", dos países que se afundaram totalmente como a Islândia ou a Hungria que pediu ontem a sua segunda ajuda ao FMI num período de três anos. Mas a dívido-dependência vem amarrada a outra crença do capitalismo financeiro, é a do crescimento eterno. Se o Universo fosse plano e infinito, cheio de minérios e de árvores de fruto e se cada ser humano pudesse engordar toneladas atrás de toneladas, a religião do crescimento eterno até poderia ter alguma consistência. Mas, o nosso planetazinho é finito e o homo sapiens não aguenta consumir dezenas de quilos de bodegas por dia para salvar a economia.

É precisa uma outra economia que conviva bem com o crescimento e com a falta dele, que não seja dependente da predação egoísta dos escassos recursos planetários por apenas duas ou três gerações de gananciosos e é precisa uma regulação forte, de "braços longos", internacional, que atravesse fronteiras à mesma velocidade que o crime financeiro. Estamos a precisar de uma espécie de Green New Deal à escala planetária, se não quisermos ser odiados pelas próximas gerações.

Viva o capitalismo!

"Juros exigidos para comprar dívida portuguesa ultrapassam 14% a 2 e 3 anos", TSF.
É a escola de Thatcher no seu melhor, é nesta escola que o nosso primeiro-ministro acredita. Com ferros se mata...

terça-feira, novembro 22, 2011

Dia de Portugal e das Lendas Portuguesas

Nesta discussão dos feriados o Tiago Mendes propõe-nos o Dia da Fundação, acrescenta o Tiago "Este novo feriado - que poderia também ser o "Dia de Portugal" - seria comemorado a 5 de Outubro, celebrando a assinatura do Tratado de Zamora (1143 - a bandeira supra é a então vigente)". Quando li "Tratado de Zamora" e apreciei a bandeira "vigente", percebi logo o cuidado com que tinha sido elaborada a proposta. Foi à velocidade de um clique que o Tiago copiou a bandeira na entrada da wikipedia sobre o "Tratado de Zamora", onde se fala inclusivamente da lendária Batalha de Ourique como se esta tivesse realmente ocorrido.

Não existe qualquer registo de um Tratado de Zamora em 1143, bem como a independência de Portugal não tem data marcada. Fomo-nos tornando independentes entre 1128 (Batalha de São Mamede) e 1173 (Bula Manifestis Probatum). Tal como se lê nesta clarificadora entrada do João Cardoso, existiam documentos anteriores ao Acordo de Zamora em que Afonso Henriques era designado como Rei de Portugal (1132, 1135 e 1139). Também a sua mãe é designada rainha em vários documentos descrevendo a sua época. A bandeira da entrada da wikipedia não é a vigente na época, nem sequer é certo se havia UMA bandeira.

O que mais irrita neste tipo de propostas não é a forma velada com que se tenta apagar o 25 de Abril. O que irrita é a propagação de lendas que até 1974 constavam dos textos escolares como verdades sagradas, a Batalha de Ourique, Guimarães cidade berço, o Tratado de Zamora, o entalanço do Martim Moniz, etc., numa época em que os meios de comunicação são sofisticadíssimos e existe abundante literatura actualizada sobre a história de Portugal ("Dicionário de História de Portugal" de Joel Serrão, "D. Afonso Henriques" de José Mattoso e "O essencial sobre a Formação da Nacionalidade" de José Mattoso).

segunda-feira, novembro 21, 2011

A História do Ciganinho Chico

"A História do Ciganinho Chico", livro para crianças da autoria do amigo Bruno Gonçalves, foi tema das minhas crónicas do programa "Pontos de Vista" da Rádio Clube Foz do Mondego. As ilustrações são de Tiago Moleano Gomes e a edição do Centro de Estudos Ciganos.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Leitura recomendada ao primeiro-ministro

Recomendo ao primeiro-ministro, em honrosa campanha de estende-mão em Angola, a leitura desta obra de Rafael Marques. Chama-se "Diamantes de Sangue" (Tinta da China, 2011) e a sinopse narra o seguinte:

"[Rafael Marques] é um dos principais responsáveis por denunciar e divulgar os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam. Na região do Cuango, a situação é trágica. Para benefício dos que exploram os diamantes, as populações são mantidas em condições de quase escravatura, sendo torturadas, assassinadas, roubadas e impedidas de manter quaisquer actividades de auto-subsistência. As autoridades e o governo ignoram os crimes, as forças armadas e policiais são não só coniventes como também protagonistas desses crimes."

Há cerca de 10 anos Bernard-Henri Lévy em "Réflexions dur la Guerre" denunciava a exploração de diamantes nas mesmas regiões, a mesma violência e a mesma tortura, mas curiosamente perpetrada em estreita colaboração entre os homens da UNITA e MPLA, que dividiam irmanmente as margens dos rios ricos em diamantes, embebedavam-se juntos e frequentavam os mesmos bordéis. Entretanto o dinheiro conseguido com a venda desses diamantes era usado para comprar armas distribuídas no resto do país para se matarem uns aos outros.

Isto fica bem ao "Obama de Massamá" e a um ministro dos negócios estrangeiros acabadinho de chegar da Venezuela. Para onde irá estender a mão a seguir? Arábia Saudita? Coreia do Norte? China?...

O cartoon da semana


De Chappatte no Le Temps

quarta-feira, novembro 16, 2011

Até onde se estende o polvo da Goldman Sachs?

Até António Borges, por exemplo.
Vale a pena ler este artigo onde se denunciam mais ligações perigosas entre os novos governos, a Goldman Sachs e a Comissão Trilateral (criada em 1973 por David Rockfeller).
António Borges faz parte do grupo europeu da Comissão Trilateral e foi ex-vice-presidente do Goldman Sachs Internacional. Reúne por isso todas as condições para ser um futuro primeiro-ministro do nosso país...

Governo responde a BE sobre Hospital da Figueira

(clicar na carta)

No início de Outubro o deputado João Semedo do BE formulou estas perguntas ao governo sobre os cortes no Hospital da Figueira. Como se pode ler na carta do governo, não há resposta à pergunta 3, aquela que mais impacto tem sobre as pessoas. Ficamos também a saber que a direcção do hospital (que quer salvar a pele) elaborou a proposta que o governo queria sem consultar os representantes dos profissionais de saúde, incluindo os directores de serviço. Dizer que houve espaços de diálogo é uma treta, nada foi formalizado para envolver os restantes profissionais na elaboração da proposta.
Por este andar, os figueirenses que se preparem para daqui a uns anitos ficarem sem hospital. Quando isso acontecer espero que não se esqueçam quem foram os responsáveis.

terça-feira, novembro 15, 2011

O polvo da Goldman Sachs abraça a Europa


Mario Draghi, Mario Monti e Lucas Papadémos, respectivamente o Presidente do BCE, o novo Presidente do Conselho Italiano e o novo Primeiro Ministro Grego, tiveram muito recentemente ligações importantes com a Goldman Sachs, umas mais institucionais outras mais informais. Mario Draghi foi vice-presidente da Goldman Sachs Europa entre 2002 e 2005. Uma das suas tarefas era vender o produto financeiro swap que permite esconder parte da dívida soberana e que foi muito utilizado pelo governo grego. Mario Monti é conselheiro internacional da firma desde 2005 e Lucas Papadémos foi governador do Banco Central Grego entre 1994 e 2002, participando amplamente na aldrabice das contas gregas em conjunto com a Goldman Sachs. Quem gere a dívida grega é Petros Christodoulos, um antigo trader da mesma Goldman Sachs.

Quando se refere que as oligarquias financeiras estão a mandar nos destinos dos países é disto que se está a falar e como se prova não é exagero nenhum.
No que nos toca, o governo português e os nossos representantes no parlamento europeu deveriam exigir já a substituição de Mário Draghi.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Europeizando a Europa

Concordo com muito do que é escrito neste artigo do verde Joschka Fischer (publicado também na passada sexta no Público). Alguns extractos onde mais me revejo:

"o problema da Europa não é o que aconteceu, mas sim o que não aconteceu: a criação de um governo Europeu comum."

"No início da década de 1990, quando a maioria dos estados membros da União Europeia decidiram formar uma união monetária com uma divisa comum e um banco central, a ideia de um governo central não colheu apoios. Como resultado, essa fase da construção da união monetária foi adiada, deixando um edifício impressionante a que faltavam alicerces sólidos que garantissem estabilidade em tempo de crise. A soberania monetária tornou-se numa causa comum; mas o poder necessário para a exercitar permaneceu nas capitais nacionais. Acreditava-se na altura que regras formais – impondo limites obrigatórios nos défices, na dívida e na inflação – seriam suficientes. Mas este alicerce de regras mostrou ser uma ilusão; os princípios precisam sempre do apoio do poder; de outro modo não poderão suportar o teste da realidade."

"A zona euro necessita de um governo, que, no actual estado de coisas, só pode consistir dos respectivos chefes de estado e de governo – um desenvolvimento que já foi iniciado. E, porque não pode haver uma união fiscal sem uma política orçamental comum, nada pode ser decidido sem os parlamentos nacionais. Isto significa que uma “Câmara Europeia”, compreendendo os líderes dos parlamentos nacionais, é indispensável."

Para o tal governo eu preferia a eleição directa através de eleições pan-europeias.

sexta-feira, novembro 11, 2011

O imposto Ryanair


Michael O'Leary numa campanha publicitária da Ryanair

Em tempo de vacas magras o milionário Michael O'Leary é um dos maiores beneficiários de subsídios, ajudas, subvenções e programas regionais em toda a Europa. E esta é uma das suas principais fontes de lucro, obtida frequentemente após chantagem em que ameaça retirar os seus aviões da região. Tal como suspeitava, Portugal não é excepção. Desde Dezembro de 2007 foram atribuídos 15 milhões de euros às companhias apelidadas de "baixo-custo" (na realidade o custo total da viagem é muito semelhante às outras companhias e muito mais caro se algo correr mal). Relembro que a Ryanair foi já condenada a devolver 4,5 milhões de euros que recebeu da região da Valónia para operar em Charleroi. A Ryanair estima um lucro de 440 milhões de euros em 2011.

Na prática trata-se de um imposto sobre a fortuna ao contrário. O contribuinte paga aos milionários para estes obterem ainda mais lucros. Os benefícios da Ryanair para turismo do país são muito duvidosos. Faria muito mais sentido estimular o turismo suprimindo portagens nas regiões fronteiriças (as populações locais sentem bem no pêlo os estragos das portagens) do que subsidiar companhias que podem ser substituídas por outras que na prática oferecem custos totais semelhantes e um serviço com maior qualidade.

terça-feira, novembro 08, 2011

Tudo ao contrário


Dado o pesado endividamento privado (220% do PIB), sobretudo externo, para o qual contribui substancialmente a importação de petróleo e dado o clima de crise propício a decisões difíceis, seria a ocasião para fazer algo que já deveríamos ter feito há muito: racionalizar a fiscalidade automóvel. Já aqui propus a taxação mais severa de veículos poluentes e de veículos particulares com motores com mais de 2000 cm3 ou de veículos todo-terreno (autênticos brinquedos de luxo com rodas), absolutamente supérfluos para as necessidades de uma família. Mas a adopção de portagens ou zonas restritas a moradores no centro das maiores cidades (em vez de se taxar as auto-estradas que contribuem muito para reduzir a sinistralidade rodoviária) seria outra solução. Curiosamente ando a ler o livro de debate "Nuclear" da autoria de J. N. Rodrigues e V. Azevedo (Centro Atlântico 2006), onde da direita à esquerda, dos anti aos pró-nuclear, quase todos os especialistas convidados a comentar o problema energético nacional se pronunciam a favor das portagens nas cidades.

Em vez disso, este governo decidiu despejar o seu ódio ideológico e fundamentalista contra os transportes públicos. O encerramento de linhas e a supressão de horários é chocante numa altura em que os portugueses mais necessitam de um transporte público. As declarações do secretário de estado dos transportes Sérgio Monteiro segundo o qual "sem reestruturação não haverá transportes", revelam um completo desprezo pelo serviço público que prestam os transportes colectivos, como se fosse um mero luxo oferecido ao povo. E este ou está caladinho ou tira-se-lhe o luxo, não há cá meias-tintas. Faz todo o sentido, estamos na Península Arábica, qual Península Ibérica. Deve haver ali uma jazida de petróleo gigantesca entre o Largo do Caldas e a Rua de São Caetano à Lapa...

Tudo bons rapazes



(Via Aldeia Olímpica)
Depois das reveladas amizades com a quadrilha do BPN, principalmente Oliveira e Costa, chega-se à conclusão que Cavaco tem um talento especial para escolher os seus próximos na política. Se for só ingenuidade (tese que aceito pacificamente), é uma santa ingenuidade.

Robin dos Blocos

O Bloco vai propor no debate do orçamento de Estado para 2012, um imposto sobre o património de luxo em alternativa à redução dos salários e das pensões através do corte do subsídio de natal e de férias.
Os xerifes de Nottingham não vão gostar.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Fukushima poderá tornar-se um cemitério nuclear

(publicado no portal Esquerda)

Esta semana um painel de peritos da Comissão para a Energia Nuclear japonesa concluiu que vão ser necessárias várias décadas para limpar a região em quarentena em torno de Fukushima, ao contrário das expectativas mais optimistas que foram avançadas após o acidente. Em Portugal, Patrick Monteiro e Pedro Sampaio Nunes estiveram entre as vozes que mais minimizaram as consequências do acidente. Segundo o mesmo painel, só dentro de 10 anos será possível começar a remover as barras de combustível das unidades onde ocorreu a fusão dos reactores.

Está prevista a remoção de 4 cm de solo em vastas áreas da região que produzirá em cerca de 3 mil toneladas de lixo radioactivo, suficientes para encher 20 estádios de futebol. Nalgumas das cidades perto da central começaram a ser construídos depósitos temporários para destroços altamente contaminados resultantes do acidente que só estarão prontos dentro de três anos. Entretanto, este lixo radioactivo acumula-se nas mesmas cidades em condições de elevado risco para a saúde pública das populações. Só na cidade de Fukushima, situada a cerca de 50 km da central, acumula-se lixo radioactivo suficiente para encher 10 estádios de futebol.

Perante este cenário, as autoridades japonesas lançaram a proposta para transformar Fukushima em cemitério de lixo radioactivo do programa nuclear nipónico. Tal como a esmagadora maioria dos países com energia nuclear, o Japão ainda não decidiu qual a solução final a aplicar ao combustível radioactivo (perigoso durante cerca de 600 mil anos) produzido nas suas centrais. Por enquanto os resíduos mais perigosos são guardados junto às centrais situadas no norte da ilha de Honshu e em Tokaimura.

Esta decisão está a causar grande indignação entre os habitantes da região obrigados a evacuar os cerca de 50 mil lares à volta da central nuclear de Fukushima Daiichi. Alguns destes habitantes perderam os seus entes mais queridos durante o sismo, outros viram-se impedidos de procurar os seus familiares e amigos desaparecidos. Tal como tem sido escrito na imprensa da região, transformar a região em lixeira nuclear é impedir que milhares de japoneses concretizem o luto dos seus próximos com dignidade, estando impossibilitados de recorrer ao simbolismo dos seus pertences, dos lugares onde cresceram e viveram e dos corpos dos que nunca foram encontrados.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Libération acolhe Charlie Hebdo



Depois do incêndio da redacção do Charlie Hebdo, num gesto raro nos tempos que correm, o jornal Libération decidiu acolher os jornalista do semanário satírico.
A empresa Bluevision que gere o sítio internet do semanário revelou que a página tem sido alvo de constantes ataques informáticos coordenados e provenientes sobretudo de servidores localizados na Turquia e na Arábia Saudita. Esta última proveniência prova que o peixe é grosso e sabe o que quer. Como se isto não bastasse, os trabalhadores da empresa têm recebido constantes ameaças de morte. Entretanto, enquanto o sítio internet continua com problemas, o Charlie Hebdo criou ontem um blogue.


Sessão sobre Hospital da Figueira na Imprensa

Foi com uma adesão calorosa das gentes de São Pedro, do pessoal do hospital e de dois presidentes de junta que se realizou um interessante debate sobre os cortes duríssimos a que está sujeito o Hospital da Figueira, com a participação do deputado João Semedo, o médico do José Couceiro (Hospital da Figueira) e o deputado municipal João Paulo Tomé.
Organizar sessões numa freguesia da margem sul, em que eleitores e eleitos se encontram à distância de um aperto de mão é coisa que até os grandes partidos evitam. No entanto, isso não deve demover quem tem a obrigação de prestar contas perante os eleitores. O João Semedo e o João Paulo deram mais um exemplo do que deve ser o trabalho de um eleito.
Aqui os recortes de imprensa no diário As Beiras e no jornal O Figueirense.

quinta-feira, novembro 03, 2011

A Europa Soberanista no seu pior

Esta União Europeia representa o modelo soberanista no seu pior. O Conselho, composto pelos chefes de estado de cada país, tem um poder excessivo onde pesam demasiado os egoísmos nacionais e os protagonismos individuais (Sarkozy e Berlusconi, por exemplo). São os mesmos chefes de estado que escolhem o Presidente da Comissão Europeia e o Presidente do Conselho. De preferência escolhem quem não lhes faça sombra, figurinhas de segunda ou terceira linha como Van Rompuy ou Barroso. Por exemplo, é hoje conhecido que Blair (ou seja indirectamente Bush) boicotou a escolha de Jean-Claude Juncker para presidente da Comissão para escolher o prestável Barroso aquando da invasão do Iraque.

Este modelo da UE tanto é o modelo de Sarkozy, como o de Merkel ou o modelo de Papandreou. Este último promovido anteontem a grande democrata, nunca batalhou pelo reforço dos poderes do Parlamento Europeu ou pela democratização da Comissão ou do Conselho. A nível interno Papandreou nunca propôs referendar a entrada da Grécia no euro quando esta não cumpria as condições mínimas em 2001, ou referendar a organização de uns jogos olímpicos que a Grécia não podia pagar, ou referendar um orçamento da defesa que rondava os 5% do PIB ou referendar o poder excessivo e ilegítimo de uma oligarquia financeira na economia do seu país. Se tocasse neste último ponto, aí sim estaria a genuinamente a defender o futuro da Grécia e aí sim a Grécia poderia tornar-se mais democrática. O referendo que propõe é puramente tacticista, é um referendo para salvar a face, onde os Gregos vão decidir entre dose e meia-dose de austeridade.

Há muito que Delors e depois Prodi defenderam a inevitabilidade de uma maior integração europeia, opiniões transversais ao espectro do Parlamento Europeu, que vão de Juncker a Cohn-Bendit, têm combatido a via soberanista. Não é por falta de opções que a UE não progride. A eleição directa pelos europeus dos Presidentes da Comissão ou do Conselho e o reforço dos poderes do Parlmaneto Europeu facilitaria a escolha de candidatos de primeira linha, que verdadeiramente se interessam pelo projecto europeu e poderia evitar uma Europa à deriva, ao sabor dos caprichos de Sarkozy, Papandreou ou Merkel.

segunda-feira, outubro 24, 2011

Renováveis mais baratas na factura

(publicado no portal Esquerda.net)

Um estudo da consultora Rolland Berger para a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) revelou que o peso das energias renováveis é muito menor do que tem sido indicado nas contas oficiais do sector energético. Em vez de 5,5 €, o peso real das renováveis na factura mensal é apenas de 1,9 €.

Neste estudo foram corrigidos cálculos anteriores onde não entravam custos associados à produção de energia através de combustíveis fósseis e onde não eram considerados benefícios associados às energias renováveis. As renováveis evitaram custos anuais de 407 milhões de euros relacionados com a importação de combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, e das licenças de produção de CO2. Nos cálculos apresentados neste estudo foram contabilizados os custos das rendas de terrenos das centrais e o sobrecusto relativo aos contratos de aquisição de energia já celebrados e que fixam uma remuneração garantida às centrais que utilizam combustíveis fósseis. Foi ainda descontado o pagamento obrigatório de rendas das centrais eólicas aos municípios (que nenhuma outra forma de produção de eletricidade paga), o efeito da existência de electricidade renovável que gera uma descida do preço do mercado, as perdas evitadas na rede de transporte (às renováveis estão associadas distâncias mais curtas) e as contrapartidas pagas ao Estado dos concursos de atribuição de potência.

Os dados da APREN apontam para um contributo das energias renováveis de 4.120 milhões de euros para o PIB nacional e a geração de mais de 60 mil empregos em 2015.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Há lata para dizer tudo

"O Estado a gerir bancos é um desastre", Ricardo Salgado a 19/10/2011.

As subprimes dos bancos privados enterraram a economia mundial, mas de seguida foram salvos pelos estados, ou seja pelos contribuintes. Em Portugal tivemos o BPN, o BPP e uma dívida privada de 220% do PIB em grande medida da responsabilidade dos nossos bancos privados. Mas não há pudor na voz dos banqueiros responsáveis por este estado de coisas.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Oremus senhor

O tokaj (lê-se tocai) Oremus Szamorodni 2007 é um vindimas tardias de terras magiares que tem o poder de converter um ateu às virtudes do céu durante o minuto que vai da ingestão de um aveludado gole até ao momento em que a untuosidade do néctar permite a sua precipitação no esófago, momento em que se liberta um perfumado aroma em sentido ascendente até à cavidade nasal.
A relação preço/qualidade cumpre as metas do FMI, instituição que governa (também) a Hungria desde 2008.

Manif de 15 de Outubro, Bolsa de Bruxelas

Este sábado foi assim em frente ao edifício da Bolsa de Bruxelas (clicar na imagem). Atrás de mim, uma multidão a perder de vista no emaranhado de ruas do centro (entre 6 mil e 10 mil segundo a imprensa local).

sexta-feira, outubro 14, 2011

Uns e outros

O esforço que está a ser pedido aos trabalhadores e pensionistas não tem paralelo no sector financeiro e nos sectores onde a fuga ao fisco representa uma parte de leão. O talão ou a factura passaram a ser de entrega imediata e obrigatória? Não. A isenção de taxas e impostos no sector bolsista e financeiro foi corrigida? Não. Vai ter que ser a Rua a impor algum moralismo nisto tudo...

O cartoon da semana



(por John Darkow)

quinta-feira, outubro 13, 2011

Ocupar a City

(publicado no Esquerda Republicana)

A City londrina, o maior sorvedouro de dinheiro da Europa para actividades económicas puramente especulativas que não produzem bens ou serviços que melhorem o bem-estar dos cidadãos, será ocupada a partir de sábado (ver página Occupy the London Stock Exchange). É sobretudo ali que a Europa em peso deveria rejeitar uma sociedade submetida ao arbítrio das oligarquias financeiras (respondendo ao Rui Tavares). Os protestos nacionais deveriam concentrar-se em frente às principais bolsas: Frankfurt, Paris, Atenas, Lisboa, etc.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Grande homilia de Žižek em Nova Iorque

Žižek no seu melhor, a dois passos de Wall Street. Um discurso fabuloso, inteligente, humorado (não resistiu a introduzir lá no meio a teoria do café com adoçante), abrangente, virado para o dia de amanhã e não para o momento e cheio de tiques. O auditório deu-lhe aquele delicioso tom de homilia. Não resisto a partilhar esta passagem:

"We are only witnessing how the system is destroying itself. We all know the classic scenes from cartoons. The cart reaches a precipice. But it goes on walking. Ignoring the fact that there is nothing beneath. Only when it looks down and notices it, it falls down. This is what we are doing here. We are telling the guys there on Wall Street – Hey, look down!"
Occupy Wall Street




Três bons blogues figueirenses

Três interessantes blogues figueirenses que não estavam na minha lista:

O Sítio dos Desenhos
Aldeia Olímpica
Aliás

Vou concordar mais com uns do que com outros, mas o que por ali se lê é bem fundamentado, bem escrito (pouco ponto de exclamação), os autores não lêem apenas blogues, lêem livros e parecem bem imunizados contra populismos, tabloides, sensacionalismos televisionados e dor-de-cotovelite.

Protestar no sítio certo

Depois de variados movimentos de descontentamento espalhados pelo planeta terem disparado em quase todas as direcções, eis que a pontaria se afina. Os protestos contra a crise não poderiam escolher melhor lugar do que Wall Steet.
Exceptuando o caso da Islândia onde o eleitorado castigou directamente as políticas que levaram o país à falência, nos restantes países da Europa as eleições tenderam mais a castigar o partido do governo, (indiscriminadamente esquerdas e direitas) quando eclodiu a crise, do que propriamente castigar as políticas que geraram esta crise mundial. Estes protestos em Wall Street são muito certeiros, denunciam as políticas que conduziram a sociedade a submeter-se por completo aos devaneios dos mercados financeiros. Os eleitores do mundo inteiro deveriam observar o mesmo e castigar os partidos que defendem estas políticas em vez de castigar apenas o boneco que dirige nesse momento o respectivo país. Basta ler os programas eleitorais, não é difícil.

Já agora estes protestos na Europa deveriam estender-se a um protesto em massa junto ao maior sorvedouro de riqueza da Europa, a City em Londres, e porque não em frente à bolsa de Lisboa.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Pergunta do BE sobre cortes no Hospital da Figueira

Assunto: Cortes no Hospital Distrital da Figueira da Foz

Destinatário: Ministério da Saúde

Exma. Senhora Presidente da Assembleia da República
A Administração do Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF) enviou aos Ministros da Saúde e das Finanças propostas de cortes nos custos operacionais, na ordem dos cinco milhões de euros/ano. Que incluem: a possibilidade de encerramento do hospital de dia oncológico; a suspensão da actividade da viatura médica de emergência e reanimação (VMER); o encerramento do bloco operatório no período nocturno; a redução da equipa médica de urgência durante a noite, a redução de pessoal na triagem da urgência pediátrica e ainda a redução de enfermeiros no bloco operatório.
Todas estas medidas foram propostas à tutela sem qualquer diálogo com os directores de serviço do HDFF, o que levou já a quase totalidade a colocar o ser lugar à disposição.
Propostas que deveriam ser precedidas de cuidada análise e discussão interna com os representantes dos profissionais de saúde, com vista a minorar o impacto sobre a actividade assistencial, resumiram-se a mais cortes cegos, decididos administrativamente.
Os cortes decretados pelo Ministério da Saúde nos orçamentos dos hospitais para 2011 e 2012 são de uma ordem tão elevada, que só com o envolvimento de todos os profissionais, será possível minorar o impacto sobre a actividade assistencial e alcançar quaisquer objectivos com que as administrações se comprometam.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:
1. Que propostas foram apresentadas ao Ministério da Saúde pela Administração do HDFF, com vista à redução dos custos operacionais daquele Hospital em 2011 e 2012?
2. Qual o impacto dessas propostas nos custos operacionais do HDFF?
3. Qual a posição do Ministério da Saúde relativamente às propostas apresentadas, tendo em consideração que tem vindo a afirmar não pretender pôr em causa a qualidade dos cuidados de saúde prestados?
4. Legitima o Ministério da Saúde a actuação da Administração, ao decidir unilateralmente as propostas a apresentar, sem consultar os representantes dos profissionais de saúde, incluindo os directores de serviço?

Palácio de São Bento, 6 de Outubro de 2011.

João Semedo

domingo, outubro 09, 2011

Uma semana que demonstra a importância da ciência

(Publicado no portal Esquerda.net)



Desde há cerca de uma semana a ciência tem estado presente nas notícias pelos melhores motivos.Em primeiro lugar a experiência que mediu o tempo de voo dos neutrinos ao longo dos 730,5 km que separam o CERN do Laboratório do Gran Sasso em Aquila, Itália, abriu novas perspectivas à física fundamental ao revelar que os neutrinos viajam mais rápido do que a luz. A confirmar-se o resultado, as leis que regem o Universo deverão ser ajustadas e novas tecnologias poderão emergir a partir desta importantíssima descoberta. Na passada terça-feira, o Nobel da Física premiou a descoberta da expansão acelerada do Universo através da observação de supernovas longínquas. Desta vez o júri do Nobel não premiou uma descoberta com aplicações práticas, premiou um contributo relevante para conhecermos melhor este estranho lugar onde se desenrolam as nossas existências: o Universo. No dia seguinte foi inaugurada a Gemasolar, a maior central comercial de produção de energia solar que utiliza uma impressionante técnica em que os raios solares reflectidos por 2650 espelhos convergem numa torre com um núcleo salino. O sal a altas temperaturas serve para gerar vapor de água que por sua vez faz funcionar turbinas para produção de electricidade. Durante a noite o sal mantém-se quente e continua a produzir electricidade enquanto não volta a luz do Sol. Com uma potência de cerca de 20 MW, a Gemasolar apresenta uma capacidade de produção de energia equivalente a uma pequena central térmica.

Esta semana relembra-nos a importância da ciência para conhecermos melhor a evolução do Universo, as leis que o regem e a aplicação que essas leis poderão ter para gerar tecnologias que tornam a nossa vida mais confortável. O caminho que se percorre da ciência fundamental até tecnologia aplicada ao cidadão comum, é um caminho longo mas um dos raros que pode servir de solução em tempos de crise profunda. Mas, o panorama em Portugal mudou, hoje ninguém percebeu se o ministério de fusão que engloba educação e ciência tem alguma estratégia no domínio da política científica para fazer parte de uma hipotética solução que nos tire da crise, como aconteceu no caso finlandês (ver relatório da União Europeia). O silêncio profundo do ministério sobre a ciência, a ausência de um debate para envolver o meio científico na busca de uma estratégia alargada de combate à crise e ao desemprego, e os cortes radicais nos projectos financiados em 2011, transmitem para já a sensação que o Ministério da Ciência foi simplesmente suprimido.

sexta-feira, outubro 07, 2011

quinta-feira, outubro 06, 2011

A angústia do leitor de Bolaño após a página 300

Depois de ler "La carte et le territoire" de Houellebecq, ler "2666" de Bolaño foi como começar a ler as páginas amarelas. Percebi porque é que os editores não respeitaram a vontade póstuma de Bolaño em dividir a obra em pequenas edições espaçadas no tempo. Pessoalmente, se comprasse a primeira não compraria mais nenhuma. A primeira história de 2666, apesar de tudo, a mais interessante até à página 300 (só faltam 700) mergulha-nos numa caça ao tesouro estimulante em busca do escritor Benno von Archimboldi. Mas é a única coisa estimulante, as personagens são autênticas figuras geométricas bidimensionais, sem espessura, triângulos que interceptam os seus vértices e as suas arestas com quadrados e losangos. O vernáculo é despropositado, quiçá mal traduzido (joder e follar significam coisas distintas em castelhano). As passagens sobre sexo são uma merda, ao nível luso. Nesse aspecto, o Chile é farinha da mesma massa, os mesmos complexos, o mesmo marialvismo velado, etc.

Quando li a nota sobre o autor que referia a sua adesão a uma nova geração de autores sul-americanos anti-Garcia Marquez, fiquei entusiasmado. Mas agora não sei se vou aguentar mais 700 páginas de xaropada Roberto Bolaño. Se alguma alma caridosa que já leu 2666 pretender motivar-me para seguir até à última página, use a caixa de comentários.

quarta-feira, outubro 05, 2011

A Taxa Tobin era coisa de radical de esquerda, lembram-se?


Há cerca de 10 anos atrás a Taxa Tobin era uma coisa de radicais de esquerda, de bloquistas, coisas da ATTAC, o próprio Tobin declarou que tinha uma visão da economia diferente de quem defendia a sua taxa.
Agora com a economia europeia e mundial em perigo de implosão, em cima dos joelhos, Barroso não hesita em propor uma espécie de taxa Tobin que cobriria cerca de 85% das transações dos bancos, bolsas e empresas financeiras. Mais vale (muito) tarde do que nunca. Obviamente, que o país europeu (o Reino Unido e a sua City) que mais ganha com a especulação e a economia da ganância é contra a medida.

terça-feira, outubro 04, 2011

Nobel da Física premeia astrofísica

The Nobel Prize in Physics 2011 was awarded "for the discovery of the accelerating expansion of the Universe through observations of distant supernovae" with one half to Saul Perlmutter and the other half jointly to Brian P. Schmidt and Adam G. Riess.


A primeira imagem fornecida pelo novo observatório ALMA (Atacama Large Millimetre/sub-millimetre Array) mostra as galáxias das antenas (NGC 4038 e 4039) situadas a cerca de 70 milhões de anos-luz da Terra. O ALMA foi construído no Chile e é formado por uma rede de telescópios que operam numa gama de comprimentos de onda milimétricos e sub-milimétricos, entre o infravermelho e as micro-ondas.

quinta-feira, setembro 29, 2011

Mais populismo rasca de Medina Carreira a nu

"um dos [problemas] que condiciona a implementação de mudanças é o peso do Estado na vida do país. (...) hoje, entre funcionários e pensionistas, “há 5 a 6 milhões de portugueses que recebem do Estado e que não estão nada preocupados... porque acham que o Estado paga sempre.”.
Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011

A este exercício de ilusionismo populista responde muito bem o meu conterrâneo Alexandre Campos no blogue Aldeia Olímpica:
"Sempre pensei que os funcionários públicos ganham o seu ordenado à custa do seu trabalho; que os reformados, sejam públicos ou privados, têm direito à sua reforma porque a ganharam e descontaram para tal; que os desempregados têm direito ao subsídio a partir do momento que não lhes garantem trabalho, e porque, é muito importante compreender isto, enquanto trabalhadores fizeram os seus descontos, pagaram os seus impostos."

Caro Alexandre, é que esse "xico-esperto e lambe-botas do poder económico actual", como bem classificas acha que os reformados e os funcionários públicos são todos uns "vadios" e uns "pelintras" que estão é a roubar o estado, se fizeram descontos ou se são profissionais no seu trabalho, isso pouco interessa. O que é interessa é que ele não abdica da sua reformazita choruda do estado por dois miseráveis anos em que foi ministro das finanças durante os quais o FMI teve que intervir e a economia ficou em pantanas. Reforma esta que certamente acumula com outras reformas dos tachos dos grupos económicos por onde passou depois de ser ministro.

A não perder também este delicioso texto do Fernando Campos, destaco:
"A sua boca é uma torneira a deitar enormidades; que não caem em saco roto: a sua audiência é um imenso balde sem fundo e de boca aberta."

quarta-feira, setembro 28, 2011

Relatório Marisa Matias sobre investigação aprovado no PE



Um excelente trabalho da Marisa que culminou na aprovação do relatório sobre o financiamento da investigação e inovação na União Europeia para 2014-2020. Foram meses de negociações e de debates onde participaram investigadores portugueses e de toda Europa, inclusivamente prémios Nobel.

Agora um conselho de amigo, Marisa: vai dormir. Desconfio que não deves ter tido uma noite de 8 horas de sono nos últimos meses.

terça-feira, setembro 27, 2011

The Third Industrial Revolution de Jeremy Rifkin

Jeremy Rifkin é um dos meus pensadores de eleição. Dirige a Foundation on Economic Trends, foi conselheiro de Prodi na Comissão Europeia e escreveu obras muito interessantes como "O Sonho Europeu" e "A Economia do Hidrogénio" que aqui serviram para variados textos.
Hoje Rifkin lançou um novo livro "The Third Industrial Revolution - How Lateral Power Is Transforming Energy, the Economy, and the World". A minha biblioteca já me dirigiu um ultimato para adquirir a nova obra do senhor Jeremy.

O populismo rasca de Medina Carreira a nu

Resolveu-se nos últimos anos endeusar as universidades. Mas então por que é que estamos tão mal? Porque não precisamos de tantos doutores, precisamos é de gente média que saiba fazer. As universidades aturam uma data de vadios e preparam a meia dúzia de gente que sempre foi boa
Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011.

Esta trapalhada rasca e mal educada num país saudável nem teria resposta. Mas dada a tribuna mediática - sempre sem contraditório - que é atribuída a este indivíduo, se não se responder, estas asneiras tantas vezes proferidas passam a ser verdade.

A primeira frase revela apenas que os progressos significativos registados nas universidades públicas e na ciência incomodam Medina Carreira. Porquê? Atrapalha a sua intervenção política em prol das ideologias do estado mínimo. O falhanço estrondoso de uma sociedade fortemente dependente dos mercados responde à segunda frase, que no nosso caso se traduz numa dívida privada de 220% do PIB (sobretudo externa), dívida que Medina Carreira evita evocar. A terceira frase revela um misto de ignorância e rasteireza. Portugal não tem licenciados (doutores em medina-carreirês) a mais, tem licenciados a menos. Todos os países com melhor nível de vida que nosso têm uma maior percentagem de pessoas formadas no ensino superior do que nós temos. Nesses países os quadros médios (gente média em medina-carreirês) passaram quase todos pelo ensino superior (escolas técnicas, bacharéis ou licenciaturas). Essa ideia é reforçada pelo relatório que estabelece os objectivos científicos da União Europeia, "Towards 3%: attainment of the Barcelona target", que descreve o sucesso da aposta da Finlândia na ciência e nas universidades nos anos 90 para responder à maior recessão registada num país da Europa ocidental desde a II Guerra Mundial, a uma taxa de desemprego de 20% e a uma dívida externa incomportável.

Número de publicações científicas por ano de autoria ou co-autoria de investigadores portugueses incluídas no Science Citation Index Expanded (Thomson Reuters/ISI).

No tempo de Medina Carreira não eram os melhores alunos que entravam nas universidades, eram os filhos dos ricos. O próprio Medina frequentou a universidade graças ao nível de vida do seu pai, o historiador António Barbosa Carreira. Nesse tempo, tirando algumas honrosas excepções Portugal era praticamente um zero em ciência. Havia departamentos inteiros nas universidades que não tinham qualquer actividade científica. A maioria dos alunos andava a passear os livros, não acabava o curso, mas isso não os impedia de ostentar o título de doutor no quotidiano (começamos a perceber a origem do medina-carreirês). No entanto a aposta que foi feita nos últimos 20 anos nas universidades e na ciência teve um retorno científico exponencial (ver gráfico). O número de patentes e de empresas científicas e tecnológicas disparou. Quer instituições quer empresas de investigação participam hoje em redes científicas internacionais juntamente com a ESA, o CERN e outras instituições muito prestigiadas. Apesar de tudo ainda há um caminho longo a percorrer, mas prefiro de longe esta universidade de "vadios" do que a velha universidade de filhinhos do papá.

domingo, setembro 25, 2011

Medina Carreira em registo tasca vínica

A palete de odores oscila entre o vinagre e o carrascão, num canto um velhinho mutilado trauteia uma moda num acordeão, sobre um banco corrido duas meretrizes asseguram a um cavalheiro que também são virgens, por baixo de uma das mesas um cão com duas feridas no dorso suspira. O cavalheiro de olhar esguio, levanta-se desconcertadamente tornando visíveis várias manchas tintas imprimidas na camisa e duas gotas grossas que lhe escorrem entre a cara e o pescoço, soltando em seguida esta frase em alta voz:

As universidades aturam uma data de vadios e preparam a meia dúzia de gente que sempre foi boa”.


Nah, estou a reinar. Isto foi proferido por Medina Carreira, ao que parece em estado sóbrio, em ambiente muito respeitável do Casino da Figueira na passada terça-feira.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Cuidado com a cabeça


É para esta tarde que está prevista a entrada na atmosfera dos destroços do satélite UARS, um satélite meteorológico lançado em 1991. A probabilidade que nos caia na cabeça é pequena, mas é bem mais provável assistir a um espectáculo de estrelas cadentes de origem humana. Para quem quer acompanhara a par e passo a queda do satélite seguir para esta página da NASA.

quinta-feira, setembro 22, 2011

A Figueira no Mapa



Na capa deste magnífico deste Atlas Maior de Joan Blaeu de 1665, reeditado pela Taschen, identificamos uma secção da nossa costa. Em destaque o Cabo Mondego. Ao lado desfilam localidades com nomes familiares: Buarcos, Santa Catarina, Figueira, Tavarede, Lavos, etc.

Publicações figueirenses



Os dois livros que sugiro na minha crónica "Pontos de Vista desta semana.
É com especial prazer que divulgo o trabalho do Nuno Camarneiro, um ex-autor aqui da casa.

segunda-feira, setembro 19, 2011

O capitalismo falhou II

Neste diagrama interactivo que mostra a distribuição de riqueza entre os 10% mais ricos e os restantes 90% da população americana mostra-se que os anos Reagan foram fatais para as classes média e baixa, enquanto os ricos ficavam cada vez mais ricos.

Manifesto Ciência lança propostas em Livro Branco

(publicado no portal Esquerda.net)

Tal como se temia, as medidas de austeridade alastraram à ciência, tendo-se traduzido muito recentemente na diminuição considerável do número de projectos financiados no concurso de 2011 pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O caso de sucesso da Finlândia, que reforçou a aposta na ciência aquando da profunda recessão em que o país mergulhou no início dos anos 90 (consultar relatório da União Europeia, "Towards 3%: attainment of the Barcelona target"), não serviu de exemplo para o novo governo. Sem uma estratégia, nem a curto, nem a longo prazo, sem ministério, a ciência portuguesa está neste momento à deriva. Ninguém sabe, ninguém faz a menor ideia do que serão os próximos anos.

Perante este cenário, o movimento Manifesto Ciência lançou na forma de Livro Branco um conjunto de propostas que realçam o impacto da ciência no desenvolvimento económico das sociedades e o seu potencial para combater o desemprego e para ultrapassar períodos de crise. Neste particular são apresentadas propostas “que promovam a transferência de tecnologia e o empreendedorismo alicerçados na ciência portuguesa”. Mas também são apresentadas propostas muito relevantes para evitar um estado de deriva nos laboratórios e nos centros de investigação nacionais e para assegurar a sua sustentabilidade económica sem prejuízo da qualidade da investigação aí realizada. Uma das propostas apela para a abertura de concursos de projectos e de bolsas todos os anos, sempre na mesma data, com um período de avaliação e comunicação de resultados que não deverá exceder os 6 meses. À semelhança do que acontece no Reino Unido, apela-se à suspensão ou redução substancial do IVA (23%) no âmbito de despesas com os projectos de investigação. O IVA é neste momento um real problema no encorajamento à competição a financiamentos europeus e internacionais, dado que neste tipo de financiamentos as despesas de IVA não são aceites como despesas elegíveis. É proposto também um sistema misto para os recursos humanos: bolsas e contratos – actualmente não é garantido que o sistema de contratos se mantenha. Finalmente, de forma a garantir o desenvolvimento da cultura científica, a Manifesto Ciência propõe o incremento do número de revistas científicas subscritas pelos centros de investigação e universidades, “alargando a sua disponibilidade e reduzindo os custos de subscrição”.

sexta-feira, setembro 16, 2011

O foguetão da NASA que substitui o vaivém



A NASA já anunciou o sucessor do vaivém. Optou-se por uma opção clássica, um foguetão mais potente que todos os outros da agência, designado por SLS (Space Launch System). Ver mais aqui.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Menos figueirenses, mais betão

Já há resultados preliminares dos censos de 2011. O concelho da Figueira perdeu quase 500 habitantes relativamente a 2001, nada de dramático em 10 anos, menos de 1%. O que cresceu significativamente em 10 anos foi o número de alojamentos, quase 15%. Era também disto que se falava quando se falava da betonização da Figueira da Foz.
















quarta-feira, setembro 14, 2011

O capitalismo falhou

É preciso repeti-lo. O capitalismo falhou.
A emissão de dívida europeia proposta por Krugmann vem com mais de um ano de atraso. Entretanto as políticas de austeridade pagam-se com muito desemprego e degradação dos serviços públicos.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Pontos de Vista

Esta semana comecei a colaborar no programa Pontos de Vista da Rádio Clube Foz do Mondego. Eis o alinhamento das crónicas:


2ª-feira: Rui Curado Silva
3ª-feira: João Portugal
4ª-feira: Nélson Fernandes
5ª-feira: Miguel Almeida
6ª-feira: Pedro Daniel Santos.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

terça-feira, setembro 06, 2011

DSK não interessa à esquerda


(via cartoons)

Deixando de lado as questões judiciais (teoria da conspiração ou violação), o comportamento de DSK (Dominique Strauss-Kahn) é inaceitável para um distinto representante da esquerda. DSK não teve qualquer pudor em despejar em cima do sistema judicial americano toda a sua fortuna familiar, revelando um completo desprezo pela desigualdade colossal entre a sua condição socioeconómica e a da queixosa. Percebe-se que não acredita num sistema judicial igualitário, onde ricos e pobres possam ter os mesmos instrumentos de defesa, nem tem interesse que assim seja. Ficámos a conhecer melhor um homem cujas opções de vida pessoal e familiar demonstram que não acredita no ensino público, nos transportes públicos, revelaram um indivíduo marialvista e que não hesita em fazer uso do seu poder em instituições públicas para resolver situações pessoais (ler carta da funcionária húngara que saiu do FMI depois do caso com DSK). As suas opções políticas à frente do FMI falam por si.

O que mais me perturba é energia que se gasta à esquerda para tentar desculpar o indesculpável relativo a DSK. Há bem melhores candidatos em França para bater Sarkozy.

segunda-feira, setembro 05, 2011

Lançada maior turbina para energia de correntes marítimas

(publicado no portal Esquerda.net)

Esta semana foi lançada ao largo da Bretanha a maior turbina do mundo (16 metros de diâmetro e 1000 toneladas de peso) destinada à produção de energia a partir de correntes submarinas.Instalada a 35 metros de profundidade, ao largo da costa de Paimpol e da ilha de Bréhat, a referida turbina deverá passar uma série de testes em condições reais, em particular a sua resposta às correntes e ao meio natural. Depois desta fase de testes a EDF (Electricité De France) instalará outras três turbinas na mesma zona ao curso de 2012. O parque de 4 turbinas produzirá um total de 2 MW/h, capazes de alimentar cerca de 2000 a 3000 lares. As turbinas estarão ligadas a um cabo submarino de 15 km que as ligará à rede eléctrica continental.

As turbinas do parque Paimpol-Bréhat foram construídas pela empresa irlandesa Openhydro nos estaleiros militares navais de Brest, tendo sido financiadas em parceria entre a EDF e as autoridades regionais. A região da Bretanha entrou com cerca de 25% dos custos. O projecto tem sido acompanhado pelas associações de recreio, ambientais e pescadores locais tendo sido avaliados os diferentes impactos na região. Neste sentido, a EDF chegou a um acordo com os pescadores locais para financiar em cerca de um milhão de euros um estudo sobre o impacto do parque na migração das lagostas, cuja pesca é importantíssima para a economia local.

Estima-se que o potencial de produção de energia a partir de correntes submarinas é de 2,5 a 3,5 GW em França, o que corresponde a 3 ou 4 % da produção actual de energia do país, ou seja poderá abranger alguns milhões de franceses. No entanto, um dos problemas desta forma de produção de energia é que a sua eficiência depende em grande medida da localização geográfica. O potencial da costa francesa para produzir energia a partir das correntes marítimas estima-se em cerca de 20 a 25% do potencial de toda a Europa. Melhores condições apenas se encontram nas ilhas britânicas. Na Escócia, a empresa ScotishPower Renewables está a implementar desde Fevereiro o maior parque de produção de energia de correntes marítimas, com o objectivo de produzir cerca de 10 MW a distribuir por cerca de 5 mil habitações. As maiores vantagens desta forma de produção de energia são o seu ligeiro impacto ambiental, comparada com outras renováveis, e a grande previsibilidade das correntes marítimas em contraste com a considerável aleatoriedade dos ventos, no caso da energia eólica.

Apesar de a EDF estimar o preço dos primeiros MW produzidos pelas turbinas de Paimpol cerca de 8 vezes mais elevado do que o actual preço de mercado, espera-se que nos próximos anos se consiga reduzir esses custos para um terço. A França tem como objectivo produzir até 2020 cerca de 23% de energia a partir das renováveis. A Escócia estabeleceu uma meta de 80% para a mesma data. Ambas as metas resultarão numa considerável redução de consumo e de importação de petróleo e de gás natural, o que a longo prazo constituirá uma escolha mais económica, visto que o preço destes combustíveis fósseis continuará ao aumentar ao longo das próximas décadas.

sexta-feira, setembro 02, 2011

O mercado tem sempre razão

O título desta notícia do DN diz tudo: "Gestores não executivos recebem 7400 euros por reunião". No texto lê-se "Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções". Em particular sobre o ministro da defesa lê-se "por duas assembleias gerais em 2009, Aguiar-Branco recebeu 8080 euros, ou seja, 4040 por reunião". São as leis do mercado - dirão uns - mas a verdade é que isto são práticas semelhantes às práticas da ENRON.

Lê-se ainda que a Semapa "não divulga o salário do advogado [Aguiar-Branco]". Num país com uma das maiores dívidas privadas da Europa (~240% do PIB, cerca de duas vezes e meia a dívida pública), o mínimo que se exige a um ministro que vem do sector privado é que seja absolutamente transparente sobre os seus rendimentos anteriores. Aqui, desafiamos Aguiar-Branco a divulgar o salário da Semapa, para perceber se o moralismo do governo não passa de retórica.